{"id":1912,"date":"2017-10-09T08:00:21","date_gmt":"2017-10-09T08:00:21","guid":{"rendered":"http:\/\/maedagua.pt\/?p=1912"},"modified":"2017-11-20T17:39:38","modified_gmt":"2017-11-20T17:39:38","slug":"o-milho-ja-espreita-nos-espigueiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/maedagua.pt\/?p=1912","title":{"rendered":"O milho j\u00e1 espreita nos espigueiros\u2026"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243; fullwidth=&#8221;off&#8221; specialty=&#8221;on&#8221;][et_pb_column type=&#8221;3_4&#8243; specialty_columns=&#8221;3&#8243;][et_pb_row_inner][et_pb_column_inner type=&#8221;4_4&#8243; saved_specialty_column_type=&#8221;3_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.0.76&#8243; text_font_size=&#8221;15px&#8221; text_line_height=&#8221;1.5em&#8221; background_size=&#8221;initial&#8221; background_position=&#8221;top_left&#8221; background_repeat=&#8221;repeat&#8221; background_layout=&#8221;light&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221; saved_tabs=&#8221;all&#8221; border_style_all=&#8221;solid&#8221;]<\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\">por Renato Neves<br \/>\n9 Outubro 2017<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\">Para muitos autores, nomeadamente Orlando Ribeiro, a introdu\u00e7\u00e3o e a r\u00e1pida expans\u00e3o da cultura do milho ocorrida no in\u00edcio do s\u00e9culo XVI, est\u00e1 na base de uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria no Noroeste de Portugal (e Galiza) a qual esteve, sen\u00e3o na g\u00e9nese, pelo menos no significativo incremento de sistemas complexos de regadio atrav\u00e9s de a\u00e7udes, levadas, e levantamento de socalcos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\">Do ponto de vista social esta revolu\u00e7\u00e3o ter\u00e1 tido tamb\u00e9m consequ\u00eancias muito vastas, a v\u00e1rios n\u00edveis, eventualmente com o refor\u00e7o de uma economia agr\u00e1ria comunit\u00e1ria, que implicava a gest\u00e3o das \u00e1guas para a rega e a entreajuda em determinados trabalhos relacionados com o ciclo cultural do milho. Moinhos de \u00e1gua, fornos comunit\u00e1rios, eiras e espigueiros, s\u00e3o tamb\u00e9m elementos construtivos que certamente tiveram um incremento significativo pelos s\u00e9culos seguintes \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o desta cultura.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1914\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1914\" class=\"wp-image-1914\" src=\"https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/2-espigueiros-milho.jpg\" alt=\"Principalmente no Alto-Portugal \u00e9 muito comum existirem conjuntos de espigueiros na periferia das aldeias (fotografia de Miguel Pimenta)\" width=\"400\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/2-espigueiros-milho.jpg 795w, https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/2-espigueiros-milho-300x180.jpg 300w, https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/2-espigueiros-milho-768x461.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-1914\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #333333;\">Conjunto de espigueiros na regi\u00e3o de Castro Laboreiro (Alto-Portugal). Fotografia de Miguel Pimenta<\/span><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\">Detenhamo-nos nos espigueiros, constru\u00e7\u00f5es destinadas \u00e0 secagem e armazenamento do milho ap\u00f3s a debulha, tamb\u00e9m conhecidos localmente por cani\u00e7os, canastros, piornos ou h\u00f4rreos. Trata-se de constru\u00e7\u00f5es emblem\u00e1ticas, de que em Portugal existem diversas tipologias, espalhadas pelos territ\u00f3rios do Noroeste e do Alto-Portugal, com os primeiros exemplos, de planta mais sobre o quadrado e com predom\u00ednio do material construtivo em madeira, a surgir ainda a sul do Douro, nas Terras da Feira e Cambra, e os \u00faltimos j\u00e1 encostados \u00e0 Galiza, no Riba-Minho e Peneda, de planta rectangular estreita, constru\u00eddos em granito, ou granito e xisto em zonas de transi\u00e7\u00e3o, com a utiliza\u00e7\u00e3o da madeira apenas no ripado, ou em alguns casos mesmo sem ripado, sendo o arejamento assegurado pelos intervalos da cantaria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\">A sua disposi\u00e7\u00e3o diz-nos sempre algo acerca do contexto social; isolados representam a economia e o trabalho individual, agregados em n\u00facleos na periferia das aldeias, por norma junto a eiras constru\u00eddas ou \u201cnaturais\u201d (lajedos ou afloramentos gran\u00edticos), representam geralmente modos de vida mais comunit\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1915\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1915\" class=\"wp-image-1915\" src=\"https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/3-espigueiros-milho.jpg\" alt=\"O ripado em madeira sobre estruturas de granito \u00e9 comum a diferentes tipologias de espigueiros\" width=\"400\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/3-espigueiros-milho.jpg 795w, https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/3-espigueiros-milho-300x169.jpg 300w, https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/3-espigueiros-milho-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-1915\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #333333;\">Exemplo de ripado em madeira, preenchendo \u00e1reas laterais emolduradas por cantaria em granito<\/span><\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_1916\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1916\" class=\"wp-image-1916\" src=\"https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/4-espigueiros-milho.jpg\" alt=\"A salvaguarda do gr\u00e3o dos ataques dos roedores \u00e9 assegurada nos espigueiros pelo seu assentamento em pilares, defendidos por escudos e sapatas na sua parte superior\" width=\"400\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/4-espigueiros-milho.jpg 795w, https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/4-espigueiros-milho-300x169.jpg 300w, https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/4-espigueiros-milho-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-1916\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #333333;\">Pilares de suporte de espigueiros defendidos por escudos ou sapatas evitando o acesso de roedores e outros animais aos espigueiros<\/span><\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_1917\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1917\" class=\"wp-image-1917\" src=\"https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/5-espigueiros-milho.jpg\" alt=\"Nos espigueiros as portas s\u00e3o normalmente sobrelevadas com uma soleira alta garantindo uma protec\u00e7\u00e3o suplementar contra os roedores\" width=\"400\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/5-espigueiros-milho.jpg 795w, https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/5-espigueiros-milho-300x169.jpg 300w, https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/5-espigueiros-milho-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-1917\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #333333;\">As portas com soleiras elevadas constituem uma defesa suplementar contra o ataque dos roedores<\/span><\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_1919\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1919\" class=\"wp-image-1919\" src=\"https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/6-espigueiros-milho.jpeg\" alt=\"Embora as cruzes sejam os elementos mais caracter\u00edsticos dos remates de cobertura dos espigueiros, existem tamb\u00e9m rel\u00f3gios de sol e elementos escult\u00f3ricos variados. Desenhos de Fernando Galhano (extra\u00eddos da obra: Desenho Etnogr\u00e1fico de Fernando Galhano, I \u2013 Portugal, INIC \u2013 Centro de Estudos de Etnologia, Lisboa 1985)\" width=\"400\" height=\"420\" srcset=\"https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/6-espigueiros-milho.jpeg 795w, https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/6-espigueiros-milho-286x300.jpeg 286w, https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/6-espigueiros-milho-768x807.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-1919\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #333333;\">Exemplos de remates de coberturas de espigueiros desenhados por Fernando Galhano (extra\u00eddos da obra: Desenho Etnogr\u00e1fico de Fernando Galhano, I \u2013 Portugal, INIC \u2013 Centro de Estudos de Etnologia, Lisboa 1985)<\/span><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\">Os aspectos funcionais que determinam as suas caracter\u00edsticas prendem-se essencialmente com as necessidades de arejamento para assegurar a secagem, da\u00ed a exist\u00eancia dos ripados de madeira, ou os intervalos entre as cantarias, e a defesa contra o ataque dos roedores, ou outros animais, da\u00ed os pilares defendidos por escudos ou sapadas e as portas \u201csuspensas\u201d. Uma boa parte daqueles que s\u00e3o constru\u00eddos em pedra exibem uma cruz no topo, elemento sem d\u00favida referente a uma certa sacraliza\u00e7\u00e3o do p\u00e3o, neste caso por via do gr\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\">Existem autores que sustentam a hip\u00f3tese destas constru\u00e7\u00f5es terem sido introduzidas na Pen\u00ednsula pelos suevos, n\u00e3o apenas por testemunhos lingu\u00edsticos, mas tamb\u00e9m por existirem exemplos semelhantes em territ\u00f3rios de origem destes povos; no entanto a maioria dos espigueiros estudados e datados no noroeste peninsular foram constru\u00eddos nos s\u00e9culos XVIII e XIX.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1920\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1920\" class=\"wp-image-1920\" src=\"https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/7-espigueiros-milho.jpg\" alt=\"O espigueiro de Carnota (Galiza). Um dos maiores espigueiros do Noroeste Peninsular, constru\u00eddo na segunda metade do s\u00e9culo XVIII, tem 37,74 metros de comprimento e est\u00e1 classificado como monumento nacional\" width=\"400\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/7-espigueiros-milho.jpg 795w, https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/7-espigueiros-milho-300x169.jpg 300w, https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/7-espigueiros-milho-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-1920\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #333333;\">O monumental espigueiro de Carnota (Galiza)<\/span><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\">Por norma os espigueiros apresentam plantas rectangulares com dimens\u00f5es entre os 7 a 12 metros de comprimento, por 1,5 a 5 metros de largura, por\u00e9m existem alguns muito maiores, como o famoso espigueiro de Carnota (Galiza), com os seus impressionantes 37,74 metros de comprimento, constru\u00eddo entre 1768 e 1783, pelo arquitecto Greg\u00f3rio Quintela, entretanto classificado como Monumento Nacional de Espanha.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1921\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1921\" class=\"wp-image-1921\" src=\"https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/8-espigueiros-milho.jpg\" alt=\"Espigueiro em mau estado de conserva\u00e7\u00e3o na serra de Montemuro. Note-se o emprego do granito e do xisto na base, a cobertura em ard\u00f3sia e o corpo inteiramente constru\u00eddo em madeira\" width=\"400\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/8-espigueiros-milho.jpg 795w, https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/8-espigueiros-milho-300x225.jpg 300w, https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/8-espigueiros-milho-768x576.jpg 768w, https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/8-espigueiros-milho-510x382.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-1921\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #333333;\">Espigueiro em mau estado de conserva\u00e7\u00e3o na serra de Montemuro.<\/span><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\">Estando muitas destas paisagens em colapso ou transforma\u00e7\u00e3o, os espigueiros enfrentam os mesmos problemas havendo, apesar de alguns conjuntos classificados, um pouco por todo o lado exemplos de ru\u00edna, degrada\u00e7\u00e3o e \u201crecupera\u00e7\u00f5es\u201d inapropriadas, por vezes utilizando tijolos em substitui\u00e7\u00e3o dos ripados em madeira, n\u00e3o sendo tamb\u00e9m raros os casos de venda de espigueiros para jardins particulares.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1922\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1922\" class=\"wp-image-1922\" src=\"https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/9-espigueiros-milho.jpeg\" alt=\"Publica\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Economia datada de 1942 destinada a promover a cultura do milho\" width=\"400\" height=\"549\" srcset=\"https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/9-espigueiros-milho.jpeg 795w, https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/9-espigueiros-milho-218x300.jpeg 218w, https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/9-espigueiros-milho-768x1055.jpeg 768w, https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/9-espigueiros-milho-745x1024.jpeg 745w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-1922\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #333333;\">Milho \u00e0 terra!<\/span><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\">Finalmente, resta ainda concluir que n\u00e3o houve apenas em Portugal uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o do milho\u201d ocorrida no Noroeste nos s\u00e9culos XVI \/ XVII, pois foi uma cultura muito promovida pelo Estado em diferentes per\u00edodos que originaram outras tantas \u201crevolu\u00e7\u00f5es\u201d. A constru\u00e7\u00e3o de barragens e a instala\u00e7\u00e3o de regadios, foram em parte destinados \u00e0 cultura do milho, que veio a ocupar extensas zonas de outras culturas, nomeadamente vinha no Baixo-Mondego e olivais no Ribatejo, que acarretaram grandes modifica\u00e7\u00f5es nas paisagens agr\u00e1rias dessas regi\u00f5es ocorridas a partir das d\u00e9cadas de 30 e 40 do s\u00e9culo XX; pelos finais desse mesmo s\u00e9culo veio uma nova revolu\u00e7\u00e3o, a dos pivots de rega que permitiam a instala\u00e7\u00e3o desta cultura (e de outras, nomeadamente o girassol) mesmo fora das \u00e1reas servidas por per\u00edmetros de rega. Em muitas regi\u00f5es instalou-se um novo tipo de paisagem \u201cagro-industrial\u201d, cujos padr\u00f5es territoriais deixaram de ser as parcelas \u201clineares\u201d e passaram a ser os c\u00edrculos definidos pelos pr\u00f3prios pivots.<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column_inner][\/et_pb_row_inner][et_pb_row_inner][et_pb_column_inner type=&#8221;1_2&#8243; saved_specialty_column_type=&#8221;3_4&#8243;][et_pb_social_media_follow _builder_version=&#8221;3.0.78&#8243; link_shape=&#8221;rounded_rectangle&#8221; url_new_window=&#8221;off&#8221; follow_button=&#8221;off&#8221; background_layout=&#8221;light&#8221; saved_tabs=&#8221;all&#8221; border_radii=&#8221;rounded_rectangle&#8221;] [et_pb_social_media_follow_network social_network=&#8221;facebook&#8221; src=&#8221;%22https:\/\/www.facebook.com\/plugins\/post.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fmaedagua.pt%2Fposts%2F702249156641731&amp;width=500%22&#8243; width=&#8221;%22500%22&#8243; height=&#8221;%22560%22&#8243; 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