{"id":1857,"date":"2017-09-04T10:33:31","date_gmt":"2017-09-04T10:33:31","guid":{"rendered":"http:\/\/maedagua.pt\/?p=1857"},"modified":"2017-11-20T17:36:31","modified_gmt":"2017-11-20T17:36:31","slug":"camarinhas-camarinheiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/maedagua.pt\/?p=1857","title":{"rendered":"Camarinhas, camarinheiras\u2026"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243; fullwidth=&#8221;off&#8221; specialty=&#8221;on&#8221;][et_pb_column type=&#8221;3_4&#8243; specialty_columns=&#8221;3&#8243;][et_pb_row_inner][et_pb_column_inner type=&#8221;4_4&#8243; saved_specialty_column_type=&#8221;3_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.0.69&#8243; text_font_size=&#8221;15px&#8221; text_line_height=&#8221;1.5em&#8221; background_size=&#8221;initial&#8221; background_position=&#8221;top_left&#8221; background_repeat=&#8221;repeat&#8221; background_layout=&#8221;light&#8221; text_orientation=&#8221;left&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221; saved_tabs=&#8221;all&#8221; module_alignment=&#8221;left&#8221; border_style_all=&#8221;solid&#8221;]<\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\">por Renato Neves<br \/>\n04 Setembro 2017<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\">Estes s\u00e3o os principais nomes vulgares portugueses para a <em>Corema album<\/em> que, por Setembro adentro frutifica nas zonas dunares, dessedentando quem por l\u00e1 passa, pois os seus pequenos frutos esf\u00e9ricos, brancos e rosados, de sabor levemente \u00e1cido, s\u00e3o bastante refrescantes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\">Trata-se de uma esp\u00e9cie que ocorre apenas no oeste e sudoeste da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, havendo ainda a registar uma subesp\u00e9cie em algumas ilhas do arquip\u00e9lago dos A\u00e7ores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\">Na Pen\u00ednsula a sua distribui\u00e7\u00e3o inicia-se, a norte, numa zona da Corunha, sugestivamente chamada Camari\u00f1as, terminando a sul, em Tarifa, na n\u00e3o menos sugestiva Punta Camarinal; top\u00f3nimos sem d\u00favida indiciadores da sua abund\u00e2ncia e representatividade (Gil-L\u00f3pez, 2011).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\">Em Portugal a sua ocorr\u00eancia parece ser praticamente generalizada em todas as zonas dunares costeiras, designadamente uma faixa cont\u00ednua coincidente com as g\u00e2ndaras de Aveiro, Mira, Tocha, Quiaios, Lavos e Leiria; Surgindo depois na Pen\u00ednsula de Set\u00fabal, costa Sudoeste, e cord\u00e3o dunar da Ria Formosa a Vila Real de Santo Ant\u00f3nio. Pontualmente ocorre tamb\u00e9m em dunas supra-litorais.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_1864\" style=\"width: 226px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1864\" class=\"wp-image-1864 \" src=\"https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/2.jpg\" alt=\"Mapa da distribui\u00e7\u00e3o de Corema album em Portugal continental, segundo a flora-on. Dado tratar-se de um mapa elaborado com base em contributos \u00e9 natural que n\u00e3o corresponda \u00e1 distribui\u00e7\u00e3o real da esp\u00e9cie, vindo a aumentar a \u00e1rea com novos dados e contributos\" width=\"216\" height=\"401\" srcset=\"https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/2.jpg 795w, https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/2-161x300.jpg 161w, https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/2-768x1427.jpg 768w, https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/2-551x1024.jpg 551w\" sizes=\"auto, (max-width: 216px) 100vw, 216px\" \/><p id=\"caption-attachment-1864\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #333333;\">Distribui\u00e7\u00e3o de <em>Corema album<\/em> em Portugal continental, segundo a flora-on<\/span><\/p><\/div>\n<p><span style=\"color: #333333;\">A correspond\u00eancia desta distribui\u00e7\u00e3o, com o que podemos designar por \u201cmacro-topon\u00edmia\u201d, obtida atrav\u00e9s da cartografia 1:25.000, por via do Report\u00f3rio Topon\u00edmico de Portugal do Servi\u00e7o Cartogr\u00e1fico do Ex\u00e9rcito (Lisboa \u2013 1967) (Mapa ao lado), embora coincidente com a distribui\u00e7\u00e3o litoral e, em alguns casos, supra litoral, apresenta algumas diverg\u00eancias, surgindo em localidades de contextos ecol\u00f3gicos muito distantes das exig\u00eancias desta esp\u00e9cie, cuja origem pode estar relacionada com outros significados, ou derivados da palavra.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_1865\" style=\"width: 274px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1865\" class=\" wp-image-1865\" src=\"https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/3.jpg\" alt=\"Distribui\u00e7\u00e3o de top\u00f3nimos relacionados com \u201ccamarinha\u201d nas cartas 1:25.000. Carta obtida atrav\u00e9s da consulta do Report\u00f3rio Topon\u00edmico de Portugal do Servi\u00e7o Cartogr\u00e1fico do Ex\u00e9rcito (1967)\" width=\"264\" height=\"373\" srcset=\"https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/3.jpg 795w, https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/3-212x300.jpg 212w, https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/3-768x1085.jpg 768w, https:\/\/maedagua.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/3-725x1024.jpg 725w\" sizes=\"auto, (max-width: 264px) 100vw, 264px\" \/><p id=\"caption-attachment-1865\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"color: #333333;\">Distribui\u00e7\u00e3o de top\u00f3nimos relacionados com \u201ccamarinha\u201d nas cartas 1:25.00<\/span><\/p><\/div>\n<p><span style=\"color: #333333;\">Como acontece com muitas outras plantas silvestres, o seu aproveitamento com fins alimentares estava muito mais difundido no passado do que na actualidade. Escava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas levadas a cabo em Lisboa, na Rua dos Correeiros (Bugalh\u00e3o &amp; Queiroz, 2005) e na Casa dos Bicos (Queir\u00f3s &amp; Mateus, 2011) evidenciam o consumo destes frutos no per\u00edodo medieval. Sabendo-se que esse consumo assumiu alguma representatividade, e tratando-se de uma esp\u00e9cie certamente ausente do elenco flor\u00edstico de Lisboa e do seu termo imediato, podemos inferir que ter\u00e1 existido uma colheita em zonas dunares mais ou menos pr\u00f3ximas, dando origem a uma importa\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o no mercado urbano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\">Sendo tamb\u00e9m curioso que a colheita e a venda perduraram em determinados contextos at\u00e9 meados do s\u00e9culo XX, com exemplos documentados na cidade do Porto (aparentemente por importa\u00e7\u00e3o da Galiza) e na regi\u00e3o de Barbate (C\u00e1dis), (Gil-L\u00f3pez, 2011), bem como testemunhos de ser vendida \u201cinformalmente\u201d ao redor de alguns mercados, cujos vendedores seriam pessoas de classes sociais muito baixas no limiar da exclus\u00e3o, situa\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 que Gil-Lopez refere para Barbate.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\">Al\u00e9m da sua utiliza\u00e7\u00e3o alimentar, a planta, gra\u00e7as ao seu tipo de ramifica\u00e7\u00e3o densa e erecta, e \u00e0s suas folhas curtas e grossas, parece ter sido utilizada tamb\u00e9m no fabrico de escovas e vassouras, pois o nome <em>Corema <\/em>adv\u00e9m do grego atrav\u00e9s de \u201c<em>korema<\/em>\u201d, cujo significado \u00e9 escova.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\">A sua resist\u00eancia \u00e0 secura, e a possibilidade de se desenvolver em substratos arenosos, tornam-na muito adequada como planta ornamental em canteiros, bordaduras ou associa\u00e7\u00f5es com outras esp\u00e9cies psam\u00f3filas. Pelo que no futuro a veremos certamente em habitats diferentes das dunas. Ser\u00e1 pois o regresso das camarinhas \u00e0s cidades! <\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.0.69&#8243; text_font_size=&#8221;13px&#8221; text_line_height=&#8221;1.5em&#8221; background_size=&#8221;initial&#8221; background_position=&#8221;top_left&#8221; background_repeat=&#8221;repeat&#8221; background_layout=&#8221;light&#8221; text_orientation=&#8221;left&#8221; border_style=&#8221;solid&#8221; saved_tabs=&#8221;all&#8221; module_alignment=&#8221;left&#8221; border_style_all=&#8221;solid&#8221;]<\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong>:<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\">Bugalh\u00e3o, J.: Queiroz, P.F. (2005) \u2013 Testemunhos do consumo de frutas no per\u00edodo isl\u00e2mico em Lisboa. Al-Andaluz espa\u00e7o de Mudan\u00e7a. Balan\u00e7o de 25 anos de hist\u00f3ria e arqueologia medievais. Homenagem a Juan Stabel-Hansen. Semin\u00e1rio Internacional. M\u00e9rtola 16, 17, e 18 de Maio de 2005. Campo Arqueol\u00f3gico de M\u00e9rtola.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\">Gil-L\u00f3pez, M.J. (2011) Etnobot\u00e1nica de la Camarina (Corema Album) en Cadiz; Acta Botanica Malaciana, 36:137-144. M\u00e1laga.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\">Queiroz, P.F.: Mateus, J.E. (2011) \u2013 Estudo Paleoecol\u00f3gico do dep\u00f3sito org\u00e2nico medieval conservado na estratigrafia arqueol\u00f3gica da Casa dos Bicos, Lisboa. Terra Scenica \u2013 Territ\u00f3rio Antigo. Relat\u00f3rio 25.<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column_inner][\/et_pb_row_inner][et_pb_row_inner][et_pb_column_inner type=&#8221;1_2&#8243; saved_specialty_column_type=&#8221;3_4&#8243;][et_pb_social_media_follow _builder_version=&#8221;3.0.89&#8243; link_shape=&#8221;rounded_rectangle&#8221; url_new_window=&#8221;off&#8221; follow_button=&#8221;off&#8221; background_layout=&#8221;light&#8221; saved_tabs=&#8221;all&#8221; border_radii=&#8221;rounded_rectangle&#8221;]<\/p>\n<p>[et_pb_social_media_follow_network social_network=&#8221;facebook&#8221; src=&#8221;%22https:\/\/www.facebook.com\/plugins\/post.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fmaedagua.pt%2Fposts%2F702249156641731&amp;width=500%22&#8243; width=&#8221;%22500%22&#8243; height=&#8221;%22560%22&#8243; style=&#8221;%22border:none;overflow:hidden%22&#8243; scrolling=&#8221;%22no%22&#8243; frameborder=&#8221;%220%22&#8243; bg_color=&#8221;#3b5998&#8243; _builder_version=&#8221;3.0.47&#8243; link_shape=&#8221;rounded_rectangle&#8221; follow_button=&#8221;off&#8221; url_new_window=&#8221;on&#8221; skype_action=&#8221;call&#8221; url=&#8221;https:\/\/www.facebook.com\/maedagua.pt\/posts\/709196439280336&#8243;] Facebook [\/et_pb_social_media_follow_network][et_pb_social_media_follow_network social_network=&#8221;linkedin&#8221; url=&#8221;https:\/\/www.linkedin.com\/feed\/update\/urn:li:activity:6310422450060435456&#8243; bg_color=&#8221;#007bb6&#8243; _builder_version=&#8221;3.0.47&#8243; link_shape=&#8221;rounded_rectangle&#8221; follow_button=&#8221;off&#8221; url_new_window=&#8221;on&#8221; skype_action=&#8221;call&#8221;] LinkedIn [\/et_pb_social_media_follow_network]<\/p>\n<p>[\/et_pb_social_media_follow][\/et_pb_column_inner][et_pb_column_inner type=&#8221;1_2&#8243; saved_specialty_column_type=&#8221;3_4&#8243;][\/et_pb_column_inner][\/et_pb_row_inner][et_pb_row_inner admin_label=&#8221;Row&#8221;][et_pb_column_inner type=&#8221;4_4&#8243; saved_specialty_column_type=&#8221;3_4&#8243;][et_pb_post_nav _builder_version=&#8221;3.0.89&#8243; in_same_term=&#8221;off&#8221; show_prev=&#8221;on&#8221; show_next=&#8221;on&#8221; title_font_size=&#8221;12px&#8221; title_text_color=&#8221;#2ea3f2&#8243; custom_padding=&#8221;10px|20px|10px|20px&#8221; border_width_all=&#8221;1px&#8221; border_color_all=&#8221;#2ea3f2&#8243; prev_text=&#8221;Anterior&#8221; next_text=&#8221;Pr\u00f3ximo&#8221; saved_tabs=&#8221;all&#8221; \/][\/et_pb_column_inner][\/et_pb_row_inner][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;1_4&#8243;][et_pb_sidebar orientation=&#8221;right&#8221; area=&#8221;sidebar-1&#8243; remove_border=&#8221;on&#8221; _builder_version=&#8221;3.0.69&#8243; header_font=&#8221;|on|||&#8221; header_font_size=&#8221;15px&#8221; header_line_height=&#8221;2.5em&#8221; body_font_size=&#8221;12px&#8221; body_line_height=&#8221;1.5em&#8221; saved_tabs=&#8221;all&#8221; background_layout=&#8221;light&#8221; show_border=&#8221;on&#8221; \/][\/et_pb_column][\/et_pb_section]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 camarinhas! Setembro \u00e9 o m\u00eas das camarinhas.<br \/>\nTrazemos alguns temas ao redor desta planta das dunas&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1858,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"on","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","_mi_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[49,48],"tags":[56,50,51,55,52,54,53],"class_list":["post-1857","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-etno-botanica","category-flora","tag-bagas-silvestres-comestiveis","tag-camarinha","tag-corema-album","tag-dieta-medieval","tag-lisboa","tag-planta-ornamental","tag-uso-alimentar"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/maedagua.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1857","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/maedagua.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/maedagua.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/maedagua.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/maedagua.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1857"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/maedagua.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1857\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2267,"href":"https:\/\/maedagua.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1857\/revisions\/2267"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/maedagua.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1858"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/maedagua.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1857"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/maedagua.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1857"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/maedagua.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1857"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}